segunda-feira, 5 de maio de 2025

PORNOGRAFIA: VÍCIO OU DEPENDÊNCIA?

 

Vício ou uso problemático de pornografia? Entenda o que está por trás desse comportamento

A pornografia online é um fenômeno relativamente novo, mas que já levanta preocupações importantes sobre os impactos na vida emocional, nos relacionamentos e na saúde mental das pessoas — especialmente entre os mais jovens.

Hoje, com apenas alguns cliques, é possível acessar gratuitamente uma enorme quantidade de conteúdo sexual — que vai desde cenas mais leves até imagens de violência e abuso. O acesso é rápido, fácil, privado e anônimo, o que contribui para o aumento do consumo, inclusive entre adolescentes. E, como tudo acontece dentro da tela do celular, muitos pais e responsáveis sequer imaginam o que seus filhos estão vendo.

Apesar de ainda não haver consenso científico sobre todos os efeitos da pornografia — se ela é necessariamente boa ou ruim — o que se observa na prática clínica é um número crescente de homens e mulheres buscando ajuda profissional porque se sentem presos a esse comportamento, mesmo não querendo mais assistir. Muitos relatam sentimentos de culpa, vergonha e sofrimento emocional.

🧠 Afinal, o que é vício e o que é dependência?


Para entender melhor, é importante diferenciar dois termos que costumam ser usados como sinônimos, mas que não são exatamente a mesma coisa.

📌 Vício é um comportamento compulsivo, repetitivo e difícil de controlar, geralmente ligado ao prazer imediato. Mesmo sabendo que está fazendo mal, a pessoa continua. Isso pode acontecer com o uso de substâncias (como álcool ou drogas), mas também com comportamentos — como jogar, usar redes sociais ou consumir pornografia.

📌 Dependência, por outro lado, é um estado mais intenso e profundo. É quando o corpo ou a mente precisam daquilo para funcionar. Quando a pessoa tenta parar, pode ter sintomas de abstinência, como ansiedade, irritação, insônia, entre outros. Muitas vezes, é necessário consumir cada vez mais para sentir o mesmo efeito.

Ambos os quadros podem causar prejuízos graves à vida emocional, afetar decisões racionais, atrapalhar relacionamentos e interferir na vida pessoal, profissional e afetiva.

📚 E o que diz a ciência?


A literatura científica tem preferido o termo “uso problemático de pornografia” para descrever situações em que o consumo interfere negativamente na vida da pessoa. Isso porque nem toda pessoa que assiste pornografia com frequência tem um vício ou uma dependência.

Estudos mostram que a frequência sozinha não é suficiente para definir um problema. Muitas pessoas assistem pornografia regularmente e conseguem parar quando desejam. O sinal de alerta aparece quando há compulsão, perda de controle e dificuldade em parar mesmo querendo.

Além disso, comportamentos como masturbação frequente, hipersexualidade (impulso sexual elevado) e o envolvimento com outras práticas, como sexo por telefone ou visitas frequentes a clubes de strip-tease, estão comumente associados ao uso problemático.

⚠️ Transtorno do Comportamento Sexual Compulsivo: o que é?


A Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu recentemente o Transtorno do Comportamento Sexual Compulsivo (TCSC) na Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Trata-se de um padrão persistente de impulsos sexuais intensos e recorrentes que a pessoa não consegue controlar, mesmo quando o comportamento causa sofrimento significativo ou interfere nas atividades diárias.

Em alguns casos, o consumo de pornografia online pode estar inserido nesse transtorno, especialmente quando a pessoa sente que perdeu o controle, que o uso se torna uma fuga emocional, ou que interfere nas suas relações, no trabalho ou na rotina.

🔍 Quando é hora de buscar ajuda?


Se você sente que não consegue parar, que o consumo está afetando seus relacionamentos, sua autoestima, seu desempenho no trabalho ou estudos, ou se sente culpa ou angústia depois de assistir, vale a pena conversar com um psicólogo. O acompanhamento especializado pode ajudar a entender as causas por trás do comportamento e encontrar caminhos mais saudáveis de lidar com emoções, desejos e frustrações.

Pornografia não é um tabu — mas o sofrimento emocional também não pode ser ignorado. Informação, acolhimento e apoio profissional são fundamentais para quem quer entender e transformar esse tipo de comportamento.

Me. Ana Larisssa Perissini
Psicóloga e Sexóloga CRP 06/71000
Doutoranda em Ciências: ênfase em medicina sexual - FAMERP
Mestre em Ciências: ênfase em sexualidade - USP
Especialista em Sexualidade - FAMERP
Terapeuta do Esquema - WAINER e ISST
Terapeuta Cognitivo-comportamental - FAMERP

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