segunda-feira, 19 de maio de 2025

📱🧠 PORNOGRAFIA E VIOLÊNCIA NA ADOLESCÊNCIA: O QUE ESTÁ ACONTECENDO E POR QUE PRECISAMOS FALAR SOBRE ISSO

Vivemos em um mundo onde, com poucos cliques, um adolescente pode acessar conteúdos que impactam profundamente sua forma de ver o mundo — entre eles, a pornografia. Embora o tema ainda seja um grande tabu nas famílias e na sociedade, ignorar esse "elefante na sala" pode custar caro.

Uma pesquisa recente investigou justamente isso: como o acesso à pornografia se relaciona com casos de abuso sexual cometidos por adolescentes do sexo masculino. O que se descobriu vai muito além do que imaginamos.


🔄 Quando vítima e autor são a mesma pessoa

Um dos aspectos mais impactantes do estudo é o que os especialistas chamam de polivitimização — ou seja, adolescentes que foram vítimas de diversas formas de violência ao longo da vida. Isso inclui agressões físicas, negligência emocional, abandono, abuso sexual, bullying, e até ameaças dentro da própria casa.

O mais preocupante é que muitos desses adolescentes, antes vítimas, acabam se tornando autores de violência — especialmente contra crianças mais novas, muitas vezes dentro do próprio ambiente familiar. Essas ofensas variam em gravidade, desde toques forçados e beijos sem consentimento até casos de estupro, sempre marcadas por uma relação de poder e hierarquia.


🧩 Pornografia como peça de um quebra-cabeça complexo

O estudo mostrou que a pornografia não aparece isoladamente nesses casos. Ela se encaixa em uma trama muito maior, onde a violência, o sofrimento psicológico e a falta de apoio formam um verdadeiro quebra-cabeça emocional.

Esses adolescentes, sem diálogo com a família, afastados da escola e sem aderência às intervenções sociais, acabam buscando conexões no mundo virtual. E aí encontram a pornografia, muitas vezes como uma tentativa de enfrentar a solidão ou lidar com suas dores internas.

Mas esse tipo de “fuga” pode se transformar em um uso problemático, criando um ciclo: quanto mais sozinhos se sentem, mais consomem pornografia — e quanto mais consomem, mais se isolam.


👨‍👩‍👧‍👦 Quando os adultos não sabem como agir

Uma descoberta importante é que, na maioria dos casos, os adolescentes têm acesso irrestrito à pornografia — pelo próprio celular, pelo computador de casa ou até pelo telefone da mãe. E, o mais alarmante: os pais sabem que eles acessam, mas não conseguem ou não sabem como conversar sobre isso.

Falar sobre pornografia ainda é muito difícil para muitas famílias. Seja por vergonha, medo ou falta de informação, esse silêncio contribui para que o tema continue sendo um mistério para os adolescentes — que então aprendem sobre sexualidade através de conteúdos distorcidos, violentos e muitas vezes desumanos.


⚠️ Pornografia não é o único vilão, mas é uma peça importante

A pesquisa não diz que pornografia causa diretamente o abuso sexual, mas mostra que ela pode aumentar o risco quando está inserida em contextos de vulnerabilidade, abandono, violência e sofrimento psíquico.

Ou seja: não é o conteúdo por si só, mas o conjunto de fatores que, combinados, contribuem para comportamentos preocupantes.


📣 Precisamos falar sobre isso. Urgente.

Diante desses achados, o estudo defende a criação de políticas públicas que incentivem a educação sexual desde os adultos — pais, avós, professores — para que eles possam se sentir preparados para conversar com crianças e adolescentes de forma aberta, acolhedora e sem tabus.

Além disso, é urgente discutir a regulamentação das plataformas digitais, pois hoje crianças e adolescentes acessam pornografia com extrema facilidade, muitas vezes sem qualquer tipo de filtro ou controle.

Também é necessário olhar com mais atenção para o desenvolvimento psicossexual dos jovens, compreendendo como suas vivências, traumas e experiências moldam suas relações afetivas e sexuais.


🔍 Tornando visível o invisível

Ao tratar a pornografia como uma peça invisível, mas fundamental, na vida desses adolescentes, o estudo ajuda a trazer à tona um tema difícil, mas que precisa ser enfrentado. Afinal, não podemos modificar o que não conseguimos ver — ou o que preferimos ignorar.

O problema não está apenas na internet, nos vídeos ou nos celulares. Ele também está na ausência de diálogo, na solidão de muitos jovens, e na falta de estrutura para lidar com a dor e o trauma.

Reconhecer esse cenário é o primeiro passo para transformá-lo.


Se você é pai, mãe, cuidador ou educador, lembre-se: o silêncio também educa — e, muitas vezes, educa para o medo, para o segredo e para a confusão. A boa notícia é que sempre há tempo para começar uma conversa. E ela pode mudar tudo.


Fonte: Spinóla BA. O elefante na casa: invisibilidade da pornografia no contexto do abuso sexual cometido por adolescentes [dissertação]. Brasília: Universidade de Brasília; 2023.


Me. Ana Larissa Perissini - Psicóloga e Sexóloga CRP 06/71000


segunda-feira, 5 de maio de 2025

MINHA JORNADA COM A SEXUALIDADE HUMANA

 Olá! Sou Ana Larissa Perissini, psicóloga e sexóloga, com 25 anos de experiência na área da sexualidade humana. Ao longo da minha trajetória, venho acolhendo pessoas e casais em seus processos de autoconhecimento, enfrentamento de dificuldades afetivas e construção de uma vida sexual mais saudável, respeitosa e satisfatória.

Sempre digo que foi a sexologia que me escolheu — e desde então, sigo apaixonada pelo estudo e pelo trabalho que desenvolvo. Acredito que falar sobre sexualidade é um ato de coragem, e cada pessoa que chega até aqui merece ser recebida com escuta, acolhimento e respeito.

Atendo homens, mulheres e casais, com diferentes queixas sexuais, tanto na modalidade online quanto presencial, sempre com o compromisso de oferecer um espaço seguro e ético. Procuro constantemente me atualizar no conhecimento científico, para aplicar metodologias baseadas em evidências e oferecer aos meus pacientes intervenções alinhadas às melhores práticas clínicas.

Sou pesquisadora na área da sexualidade, com foco em pornografia, transtorno do comportamento sexual compulsivo e Terapia do Esquema — campos que envolvem profundos aspectos emocionais, comportamentais e relacionais.

Minha formação inclui Especializações em Psicologia da Saúde, Psicologia Hospitalar, Terapia Cognitivo-Comportamental, Sexualidade e Terapia Sexual, além de formação internacional em Terapia do Esquema pela Wainer e pela ISST (International Society of Schema Therapy).

Sou Mestre em Ciências, com ênfase em sexualidade pela USP, e atualmente doutoranda em Ciências da Saúde, com foco em medicina sexual pela FAMERP. 

Venho contribuindo com o avanço da sexualidade como campo científico e clínico, por meio da publicação de artigos nacionais e internacionais, aulas em congressos e da atuação como professora em cursos livres, formações, pós-graduações e ligas acadêmicas de medicina.

Faço parte de sociedades nacionais e internacionais voltadas à saúde sexual, como a ABEMSS, SBRASH, SLAMS, ISSM e a Sociedade Brasileira de Terapia do Esquema, mantendo-me sempre atualizada e comprometida com a excelência no cuidado.

Neste blog, compartilho reflexões, conhecimentos científicos e conteúdos acessíveis para ampliar o diálogo sobre sexualidade, relacionamentos e saúde emocional. Estou aqui para ajudar você a se reconectar consigo, com o outro e com sua própria história.

Se você se identifica com essa abordagem e deseja se aprofundar em temas relacionados à sexualidade, saúde emocional e relacionamentos, te convido a acompanhar este blog.

Aqui, compartilho reflexões, conteúdos educativos e atualizações científicas de forma clara, ética e acessível.

🌿 Sinta-se em casa. Vamos juntos construir conhecimento e promover saúde com respeito e humanidade.


PORNOGRAFIA: VÍCIO OU DEPENDÊNCIA?

 

Vício ou uso problemático de pornografia? Entenda o que está por trás desse comportamento

A pornografia online é um fenômeno relativamente novo, mas que já levanta preocupações importantes sobre os impactos na vida emocional, nos relacionamentos e na saúde mental das pessoas — especialmente entre os mais jovens.

Hoje, com apenas alguns cliques, é possível acessar gratuitamente uma enorme quantidade de conteúdo sexual — que vai desde cenas mais leves até imagens de violência e abuso. O acesso é rápido, fácil, privado e anônimo, o que contribui para o aumento do consumo, inclusive entre adolescentes. E, como tudo acontece dentro da tela do celular, muitos pais e responsáveis sequer imaginam o que seus filhos estão vendo.

Apesar de ainda não haver consenso científico sobre todos os efeitos da pornografia — se ela é necessariamente boa ou ruim — o que se observa na prática clínica é um número crescente de homens e mulheres buscando ajuda profissional porque se sentem presos a esse comportamento, mesmo não querendo mais assistir. Muitos relatam sentimentos de culpa, vergonha e sofrimento emocional.

🧠 Afinal, o que é vício e o que é dependência?


Para entender melhor, é importante diferenciar dois termos que costumam ser usados como sinônimos, mas que não são exatamente a mesma coisa.

📌 Vício é um comportamento compulsivo, repetitivo e difícil de controlar, geralmente ligado ao prazer imediato. Mesmo sabendo que está fazendo mal, a pessoa continua. Isso pode acontecer com o uso de substâncias (como álcool ou drogas), mas também com comportamentos — como jogar, usar redes sociais ou consumir pornografia.

📌 Dependência, por outro lado, é um estado mais intenso e profundo. É quando o corpo ou a mente precisam daquilo para funcionar. Quando a pessoa tenta parar, pode ter sintomas de abstinência, como ansiedade, irritação, insônia, entre outros. Muitas vezes, é necessário consumir cada vez mais para sentir o mesmo efeito.

Ambos os quadros podem causar prejuízos graves à vida emocional, afetar decisões racionais, atrapalhar relacionamentos e interferir na vida pessoal, profissional e afetiva.

📚 E o que diz a ciência?


A literatura científica tem preferido o termo “uso problemático de pornografia” para descrever situações em que o consumo interfere negativamente na vida da pessoa. Isso porque nem toda pessoa que assiste pornografia com frequência tem um vício ou uma dependência.

Estudos mostram que a frequência sozinha não é suficiente para definir um problema. Muitas pessoas assistem pornografia regularmente e conseguem parar quando desejam. O sinal de alerta aparece quando há compulsão, perda de controle e dificuldade em parar mesmo querendo.

Além disso, comportamentos como masturbação frequente, hipersexualidade (impulso sexual elevado) e o envolvimento com outras práticas, como sexo por telefone ou visitas frequentes a clubes de strip-tease, estão comumente associados ao uso problemático.

⚠️ Transtorno do Comportamento Sexual Compulsivo: o que é?


A Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu recentemente o Transtorno do Comportamento Sexual Compulsivo (TCSC) na Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Trata-se de um padrão persistente de impulsos sexuais intensos e recorrentes que a pessoa não consegue controlar, mesmo quando o comportamento causa sofrimento significativo ou interfere nas atividades diárias.

Em alguns casos, o consumo de pornografia online pode estar inserido nesse transtorno, especialmente quando a pessoa sente que perdeu o controle, que o uso se torna uma fuga emocional, ou que interfere nas suas relações, no trabalho ou na rotina.

🔍 Quando é hora de buscar ajuda?


Se você sente que não consegue parar, que o consumo está afetando seus relacionamentos, sua autoestima, seu desempenho no trabalho ou estudos, ou se sente culpa ou angústia depois de assistir, vale a pena conversar com um psicólogo. O acompanhamento especializado pode ajudar a entender as causas por trás do comportamento e encontrar caminhos mais saudáveis de lidar com emoções, desejos e frustrações.

Pornografia não é um tabu — mas o sofrimento emocional também não pode ser ignorado. Informação, acolhimento e apoio profissional são fundamentais para quem quer entender e transformar esse tipo de comportamento.

Me. Ana Larisssa Perissini
Psicóloga e Sexóloga CRP 06/71000
Doutoranda em Ciências: ênfase em medicina sexual - FAMERP
Mestre em Ciências: ênfase em sexualidade - USP
Especialista em Sexualidade - FAMERP
Terapeuta do Esquema - WAINER e ISST
Terapeuta Cognitivo-comportamental - FAMERP

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